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sexta-feira, 11 de maio de 2018

A "aparição" de Samuel para Saul





A suposta aparição de Samuel nessa ocasião criou muitas discussões entre estudiosos da Bíblia e produziu muitos pontos de vista relativos à natureza exata desse evento.
O Dr. John J. Davis apresenta quatro considerações diferentes para explicar a aparição desse pseudoprofeta Samuel. (The Birth of a Kingdom.p.96-99)
Foi meramente o produto de impressões psicológicas.
A mulher estava "emocionalmente envolvida e psicologicamente identificada" com o falso Samuel até o ponto em que realmente acreditava ser a aparição do profeta. 1 Samuel 28.12 sugere que a feiticeira se surpreendeu ou se assustou com a aparição desse falso Samuel. Além disso, uma "leitura abrangente do texto "indica que" não apenas a mulher, mas Saul também conversou com o suposto profeta" (veja v.15).
Foi um demônio ou Satanás personificando Samuel. "Uma leitura elementar do texto bíblico leva à conclusão de que a aparição não era realmente de Samuel, e sim uma personificação dele". Além disso, "alguns detalhes da suposta profecia de Satanás não se cumpriram, porque ele é o "pai da mentira (Jo 8.44), e não tinha o conhecimento profético necessário para revelar". Em 1 Samuel 28.19, o falso Samuel diz a Saul: [...] e amanhã tu e teus filhos estareis comigo (a morte de Saul ocorreu oito dias após aquela seção espírita, e nem todos os filhos de Saul morreram naquela guerra), e pela forma como Saul morreu, em pecado e suicidando-se, ele jamais iria ao encontro do verdadeiro Samuel (1Cr 10.13,14).
Era um embuste.
"A feiticeira não estava realmente diante de Samuel, mas enganou Saul, levando-o a acreditar que a voz dela ou de outra pessoa fosse a do profeta. Apenas a mulher viu Samuel e relatou as palavras dele. Saul nada viu ou ouviu. "Ele entendeu que era Samuel (1Sm 28.14). Mesmo que o texto não diga que a mulher relatou as palavras de Samuel, ele evidencia claramente que não foi o profeta quem falou diretamente com Saul, e sim um espírito maligno. Como a obra do príncipe das trevas é alicerçada em mentiras e imperfeições, ele "chutou" sobre o resultado da batalha, sendo capaz de prever com precisão quando ela ocorreria (não aconteceu no dia seguinte), e foi também incapaz de prever o verdadeiro destino que tiveram Saul e os seus filhos (Saul suicidou-se, 1Sm 31.4,5. Não há lugar para suicidas no paraíso, onde está o verdadeiro Samuel).
Não era realmente Samuel.
Esse é um consenso geral e ortodoxo. "Foi uma suposta aparição de Samuel, fingida pelo diabo. Saul cometeu um pecado gravíssimo, e morreu por causa dele (1Cr 10.13,14). A surpresa da feiticeira (1Sm 28.12) e a inclinação reverente de Saul (1Sm 28.14) também sustentam essa tese.
Qual foi o propósito de Deus nesse acontecimento?
A Bruxa de Endor:
detalhe do quadro
"A Sombra de Samuel invocada por Saul"
de D. Martynov (1826-1889).
"As afirmações desse falso Samuel para Saul (1Sm 28.15) não devem ser consideradas como prova de que a feiticeira de En-Dor ou mesmo o rei teriam conseguido trazer o profeta de volta dos mortos [...]".
Tendo condenado os feiticeiros, os que consultassem um espírito adivinhante, ou quem consultasse os mortos (Dt 18.10,11), o Senhor jamais cometeria o ato contraditório de tirar o Seu servo Samuel, tão prestigiado como Moisés (Jr 15.1), do seu descanso eterno para trazê-lo à arapuca de uma seção espírita, atendendo à evocação de uma feiticeira (Êx 22.18), e ao pedido de um homem a quem Deus rejeitara e a quem já não respondia (1Sm 28.6).
Moisés e Elias também apareceram depois de mortos , quando ocorreu a transfiguração de Jesus (Mt 17.3; Lc 9.30,31). "Eles, contudo, apareceram 'em glória'", [e não foram evocado ou "consultados"] enquanto esse falso Samuel apareceu com o manto do engano que lhe é próprio. Portanto, em seu sentido completo, a aparição desse mentiroso Samuel é um alerta bíblico quanto aos perigos de quem resolve envolver-se com o espiritismo.
O que havia de errado com Saul ter invocado Samuel dos mortos para consultá-lo?
O Antigo Testamento proíbe a prática do ocultismo, incluindo a tentativa de contatar os mortos (Dt 18.9-12). As pessoas costumavam entrar em contato com os mortos para buscar orientações acerca do futuro. Consultá-los tratava-se de uma ofensa capital (Lv 20.6,27). Em vez disso, o povo de Deus deveria buscar direção nele.
Deus enterrou Moisés em uma tumba sem marcação (Dt 34.6), pois não queria que os israelitas tornassem o líder um santuário, oferecessem ofertas para seu espírito, adorasse-o ou tentasse consultar seu espírito.
O Antigo Testamento deixa claro que os mortos não podem ser contatados (Jó 14.10-12). O pecado cometido por Saul de consultar um médium, por exemplo, foi tão grave que o escritor de Crônicas destacou esse erro ao discorrer sobre a queda de Saul (ver 1Cr 10.13,14). Não há qualquer justificativa para buscar-se direção de mortos quando se tem o Deus vivo e Sua Palavra para servir de norte (2Tm 3.15-17; Hb 4.12,13).

Veja mais sobre Saul, aqui: