sábado, 12 de maio de 2018

A fé ajuda-nos a responder ao sofrimento


 

Ruminando o livro de Jó

Como a fé ajuda-nos a responder ao sofrimento.

O livro de Jó convida-nos a examinar a base da nossa fé em Deus. A perda de bens e dos familiares, bem como a alienação de seus amigos, abalou a base da fé de Jó. No entanto, ele manteve sua fé em Deus e mostrou que as acusações de satanás eram infundadas.
Mesmo em suas queixas, Jó reconhecia que somente Deus poderia dar-lhe as respostas de que precisava. E quando ele desejou a morte, era, na verdade, para obter alívio, até que Deus pudesse lidar com ele em condições mais favoráveis (Jó 14.13). Quando Jó desejou um mediador, era para ajudá-lo a encontrar graça diante de Deus (Jó 9.33-35). E quando Jó queixou-se de que Deus não o ouvia, era porque ele sabia que suas respostas tinham de vir do Pai (Jó 19.25-27). Essa é a essência da fé.
O pecado traz sofrimento, mas a acusação de satanás de que quem sofre deve ter pecado não é necessariamente verdadeira (Is 54.17; Rm 8.1). Hoje, algumas pessoas cegamente agem como os amigos de Jó, que relacionam piedade à bênção. Contudo, em sua raiz, esta relação ignora que "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (Rm 8.18).
E como o apóstolo Paulo lembra-nos, "é certo que com ele padecemos" (Rm 8.17). [Desde que esses sofrimentos, não sejam consequências de pecados. Principalmente por desobediência à Deus. O quê não foi o caso de Cristo e Jó. Que nossos sofrimentos sejam por amor à Verdade de Deus e por uma vida reta. (Fp 2.15; 1Co 1.8; Mt 5.10; 2Tm 2.3; 1Pe 2.19; etc...)]
Não devemos saber ou entender tudo (ver Gn 2.17; Dt 29.29; At 1.7; 1Ts 5.1,2). Algumas coisas, só Deus sabe e opera segundo Sua vontade soberana. Nossa resposta deve ser aceitar pela fé o que Ele proporciona-nos. Portanto, mesmo quando sofremos, podemos confiar nele (veja Rm 8.26-39).

Estudando Jó 9.20,21

Jó sabia que Deus não lhe devia nada. Ele estava vivo pela graça divina, mesmo que estivesse sofrendo. E também acreditava que não havia pecado de maneira que merecesse tamanho sofrimento.
Jó achava que sua vida não merecia tanta dor; então, quis que seu caso fosse apresentado diante de Deus (Jó 9.32-35). Entretanto, ele também reconheceu que discutir com o Senhor seria inútil e improdutivo (Jó 9.4). Jó sabia que se trouxesse seu caso contra Deus, pecaria por fazer falso testemunho contra Ele. "Se eu me justificar, a minha boca me condenará".
Quando enfrentamos dificuldades, grandes ou pequenas, podemos ficar indignados, acreditando que não fizemos nada pra merecê-las. Por isso, a atitude de Jó pode guiar-nos aqui. Devemos ser cuidadosos para não acusarmos Deus ou acreditar que estamos certos e Ele errado. Deus está sempre certo, mesmo se não compreendermos nossas circunstâncias. Deus está sempre certo. Ponto final.
Como Jó, devemos viver em temor ao Senhor. Essa sabedoria nos protegerá do pecado e cultivará humildade para os tempos em que os caminhos de Deus não fizerem sentido!
Basta ir até onde está Jesus. Jamais desanimar. Apresentar todos os problemas a Ele. Esperar a palavra dele (Mt 9.1,2; 15.21-28).
Até a próxima!
Fica na paz!

Leia mais sobre Jó:





sexta-feira, 11 de maio de 2018

A "aparição" de Samuel para Saul





A suposta aparição de Samuel nessa ocasião criou muitas discussões entre estudiosos da Bíblia e produziu muitos pontos de vista relativos à natureza exata desse evento.
O Dr. John J. Davis apresenta quatro considerações diferentes para explicar a aparição desse pseudoprofeta Samuel. (The Birth of a Kingdom.p.96-99)
Foi meramente o produto de impressões psicológicas.
A mulher estava "emocionalmente envolvida e psicologicamente identificada" com o falso Samuel até o ponto em que realmente acreditava ser a aparição do profeta. 1 Samuel 28.12 sugere que a feiticeira se surpreendeu ou se assustou com a aparição desse falso Samuel. Além disso, uma "leitura abrangente do texto "indica que" não apenas a mulher, mas Saul também conversou com o suposto profeta" (veja v.15).
Foi um demônio ou Satanás personificando Samuel. "Uma leitura elementar do texto bíblico leva à conclusão de que a aparição não era realmente de Samuel, e sim uma personificação dele". Além disso, "alguns detalhes da suposta profecia de Satanás não se cumpriram, porque ele é o "pai da mentira (Jo 8.44), e não tinha o conhecimento profético necessário para revelar". Em 1 Samuel 28.19, o falso Samuel diz a Saul: [...] e amanhã tu e teus filhos estareis comigo (a morte de Saul ocorreu oito dias após aquela seção espírita, e nem todos os filhos de Saul morreram naquela guerra), e pela forma como Saul morreu, em pecado e suicidando-se, ele jamais iria ao encontro do verdadeiro Samuel (1Cr 10.13,14).
Era um embuste.
"A feiticeira não estava realmente diante de Samuel, mas enganou Saul, levando-o a acreditar que a voz dela ou de outra pessoa fosse a do profeta. Apenas a mulher viu Samuel e relatou as palavras dele. Saul nada viu ou ouviu. "Ele entendeu que era Samuel (1Sm 28.14). Mesmo que o texto não diga que a mulher relatou as palavras de Samuel, ele evidencia claramente que não foi o profeta quem falou diretamente com Saul, e sim um espírito maligno. Como a obra do príncipe das trevas é alicerçada em mentiras e imperfeições, ele "chutou" sobre o resultado da batalha, sendo capaz de prever com precisão quando ela ocorreria (não aconteceu no dia seguinte), e foi também incapaz de prever o verdadeiro destino que tiveram Saul e os seus filhos (Saul suicidou-se, 1Sm 31.4,5. Não há lugar para suicidas no paraíso, onde está o verdadeiro Samuel).
Não era realmente Samuel.
Esse é um consenso geral e ortodoxo. "Foi uma suposta aparição de Samuel, fingida pelo diabo. Saul cometeu um pecado gravíssimo, e morreu por causa dele (1Cr 10.13,14). A surpresa da feiticeira (1Sm 28.12) e a inclinação reverente de Saul (1Sm 28.14) também sustentam essa tese.
Qual foi o propósito de Deus nesse acontecimento?
A Bruxa de Endor:
detalhe do quadro
"A Sombra de Samuel invocada por Saul"
de D. Martynov (1826-1889).
"As afirmações desse falso Samuel para Saul (1Sm 28.15) não devem ser consideradas como prova de que a feiticeira de En-Dor ou mesmo o rei teriam conseguido trazer o profeta de volta dos mortos [...]".
Tendo condenado os feiticeiros, os que consultassem um espírito adivinhante, ou quem consultasse os mortos (Dt 18.10,11), o Senhor jamais cometeria o ato contraditório de tirar o Seu servo Samuel, tão prestigiado como Moisés (Jr 15.1), do seu descanso eterno para trazê-lo à arapuca de uma seção espírita, atendendo à evocação de uma feiticeira (Êx 22.18), e ao pedido de um homem a quem Deus rejeitara e a quem já não respondia (1Sm 28.6).
Moisés e Elias também apareceram depois de mortos , quando ocorreu a transfiguração de Jesus (Mt 17.3; Lc 9.30,31). "Eles, contudo, apareceram 'em glória'", [e não foram evocado ou "consultados"] enquanto esse falso Samuel apareceu com o manto do engano que lhe é próprio. Portanto, em seu sentido completo, a aparição desse mentiroso Samuel é um alerta bíblico quanto aos perigos de quem resolve envolver-se com o espiritismo.
O que havia de errado com Saul ter invocado Samuel dos mortos para consultá-lo?
O Antigo Testamento proíbe a prática do ocultismo, incluindo a tentativa de contatar os mortos (Dt 18.9-12). As pessoas costumavam entrar em contato com os mortos para buscar orientações acerca do futuro. Consultá-los tratava-se de uma ofensa capital (Lv 20.6,27). Em vez disso, o povo de Deus deveria buscar direção nele.
Deus enterrou Moisés em uma tumba sem marcação (Dt 34.6), pois não queria que os israelitas tornassem o líder um santuário, oferecessem ofertas para seu espírito, adorasse-o ou tentasse consultar seu espírito.
O Antigo Testamento deixa claro que os mortos não podem ser contatados (Jó 14.10-12). O pecado cometido por Saul de consultar um médium, por exemplo, foi tão grave que o escritor de Crônicas destacou esse erro ao discorrer sobre a queda de Saul (ver 1Cr 10.13,14). Não há qualquer justificativa para buscar-se direção de mortos quando se tem o Deus vivo e Sua Palavra para servir de norte (2Tm 3.15-17; Hb 4.12,13).

Veja mais sobre Saul, aqui:

 

Ruminando Filipenses 4:5-7

Um velho comentarista do Evangelho escreveu que Jesus,
antes de morrer, fez o seu testamento:
para o Pai destina o espírito;
o corpo fica com José de Arimatéia; as vestes vão para os soldados;
Maria, a mãe, deixa aos cuidados de João.
E para os discípulos, que largaram tudo e seguiram o Mestre,
qual seria a herança?
Cristo lega àqueles que o amam, a sua paz.
A certeza da presença do Senhor, a confiança em poder aproximar-se de Deus mediante oração e ações de graças e a consequente paz no coração se manisfestarão numa atitude de cortesia para com todos.
Fp 4.5 - A moderação inculcada aqui é traço do caráter cristão. Em 2 Coríntios 10.1, Paulo fala "mansidão" ou "benignidade" de Cristo, mediante a qual o crente consegue suportar com paciência até mesmo o abuso da parte de outrem (veja Ec 2.19). Mediante a moderação o crente sabe como parar pela graça, não insistindo em seus direitos. Matthew Arnold traduziu o termo grego por "doce razoabilidade", que se tornou termo de uso comum.
Os crentes devem manifestar esta virtude em seu relacionamento com as demais pessoas, e perante o Senhor. [É difícil...sim. Mas a graça do Espírito Santo, nos concede gerar um fruto chamado "longanimidade"!] Lembra?  é um fruto do Espírito Santo! Veja aqui: O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO.
Perto está o Senhor. Pode significar que "a volta do Senhor está próxima", "o Senhor vai regressar em breve"; é algo que Paulo poderia ter dito (Fp 3.20), no espírito das instruções de Jesus a seus discípulos, que deveriam proceder como servos que aguardam a seu senhor (Lc 12.42-48). Entretanto, as palavras do apóstolo podem implicar perto quanto a lugar ou perto no tempo. "Perto está o Senhor" é certeza reiterada perante seu povo no AT (veja Sl 34.18; também Sl 119.151; 145.18). Se o único elemento em vista fosse o tempo, alguém poderia julgar que essa certeza seria mais válida para os que estarão vivos um pouco antes da data desconhecida do advento do Senhor, e menos válida para os que viveram muito antes; contudo, segundo o sentido provável das palavras de Paulo, aqui, o Senhor está sempre igualmente perto de seu povo, sempre "perto". "Cristo está, portanto, sempre à nossa porta; tão perto estava há dois mil anos como está agora".
Fp 4.6 - Visto que "perto está o Senhor", a exortação a seu povo é: não andeis ansiosos por coisa alguma. Isto se enquadra no ensino do próprio Jesus a seus discípulos: "Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haver de vestir...não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo" (Mt 6.25-34). Na Igreja primitiva, a existência cristã num mundo pagão é cheia de incertezas: perseguições de um tipo ou outro sempre constituía uma possibilidade, e tornar-se membro de qualquer associação patrocinada por divindades pagãs era algo impossível, o que resultava em desvantagem econômica. Entretanto, se o Senhor estivesse perto, não havia razão para ansiedade. Jesus havia estimulado seus discípulos a eliminarem a ansiedade porque o Pai celeste, que alimenta os pássaros e veste a erva do campo com flores, sabia de suas necessidades e podia muito bem supri-las (Mt 6.26-32; Lc 12.24-30). De modo semelhante Paulo ensina: mas em tudo, pela oração e pela súplica, com ações de graças, sejam as vossas petições conhecidas diante de Deus. O apóstolo usa três palavras gregas para "oração", aqui. Há pequenas diferenças de sentido entre essas palavras mas o principal efeito no uso de todas as três é a ênfase na importância, na vida cristã, da constância na oração de fé, plena de expectativa. À semelhança de seu Mestre, Paulo age com máxima certeza de que um elemento essencial da oração é que peçam coisas a Deus com o mesmo espírito de confiança que as crianças demonstram quando pedem coisas a seus pais. Na oração que Jesus ensinou a seus discípulos, para que a usassem ao dirigir-se ao Pai celeste, o Senhor inclui o pão de cada dia ao lado da vinda do reino à terra. (Veja O REINO DE CRISTO NO MILÊNIO)
Acima de tudo, a lembrança de bênçãos passadas constitui salvaguarda contra a ansiedade quanto ao futuro: essa memória acrescenta confiança à oração que roga mais bênçãos. Eis aqui a importância das ações de graças na verdadeira oração.
Fp 4.7 - Se os filipenses acatassem esse estímulo, em lugar da ansiedade eles gozariam de paz no coração. Jesus, em João 14.27, concedeu a seus discípulos "a minha paz", que ele deu não "como o mundo a dá."
Portanto, aqui, a paz que os filhos de Deus recebem é a paz de Deus, que excede todo o entendimento. Paz que "ultrapassa toda imaginação"; vai além de tudo quanto a sabedoria humana consegue planejar. Esta paz será "fortaleza", guardará os vossos corações e as vossas mentes, mantendo do lado de fora a ansiedade e outros intrusos: guardará os crentes em Cristo Jesus.
A paz de Deus pode significar não apenas que Ele mesmo concede (Rm 5.1) mas a serenidade em que o próprio Deus vive: Deus não está sujeito à ansiedade. [Esta paz, contribui e acrescenta ao crente, capacidade de se manter sereno diante das mais inesperadas situações difíceis e lagrimosas.]

Até a próxima!
Fica na paz!