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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Eleição e missão dos Setenta discípulos



Embora, não seja necessário determinar com precisão a sequência dos fatos desta época da vida de Jesus, parece-nos que pouco antes da Festa dos Tabernáculos deve-se registrar o episódio relativo aos Setenta; que também pode ter acontecido ao fim da estada de Jesus em Jerusalém, por ocasião desta solenidade.
O motivo pelo qual Jesus convocou tão grande número de novos auxiliares é claramente manifestado. Como o tempo urgia, ele quis evangelizar em muitos lugares onde ainda não havia exercido seu ministério. Não podendo dedicar mais do que algumas horas a cada um deles, seria necessário que sua breve estada fosse preparada de maneira que produzisse o maior fruto possível.
A pregação preliminar desses discípulos, como antes a dos apóstolos, seria utilíssima para despertar os ânimos e preparar os corações. Por isso, Jesus organizou um grupo especial, cujos membros escolheu entre os mais idôneos e zelosos de seus seguidores, para enviá-lo, diante de si, a todas as cidades e aldeias que se propunha a visitar pessoalmente.
Quantos foram exatamente escolhidos? Setenta, segundo a maioria dos estudiosos. Antes de enviar esses novos pregadores pelos distritos meridionais da Palestina, Jesus lhes deu algumas instruções a respeito da missão deles:

E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.
Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.
Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho.
E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa.
E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.
E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa.
E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido.
E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus.
Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:
Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós.
E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade. (Lc 10:2-12)
Salvo alguns pormenores, essas recomendações são as mesmas que lemos na primeira parte do discurso de Jesus aos apóstolos em ocasião parecida. Jesus indica primeiro o motivo que o impulsionava a enviar tantos obreiros ao campo: o grão estava maduro, e a colheita se anunciava abundantemente. Por outro lado, inspira neles o conhecimento de sua fraqueza pessoal, recordando-lhes que seriam como ovelhas entre lobos cruéis.
Depois, Jesus lhes ensina como teriam de proceder quando chegassem às cidades e às aldeias, enquanto durasse a estada deles; como deveriam proceder se fossem bem acolhidos, se fossem rejeitados e quando se retirassem. Os discípulos não deveriam fazer preparativos de viagem, nem levar equipamentos inúteis, nem gastar tempo em conversas ociosas. Deveriam confiar na hospitalidade de seus conterrâneos, deixar sem demora os lugares onde não quisessem recebê-los, e anunciar-lhes os castigos divinos a que se expunham. O tema geral da pregação era o mesmo de João Batista, dos apóstolos e do próprio Jesus Cristo.
Jesus também fala sobre cidades que não receberiam seus enviados, e esse pensamento traz à memória dele recordações pessoais extremamente dolorosas. Três cidades impenitentes haviam permanecido incrédulas acerca dele. Ele se despede delas com um terrível adeus, que é um tríplice anátema:

Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido.
Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós.
E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida.
Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou. (Lc 10:13-16)

O coração de Jesus devia estar muito ferido quando, apesar de sua paciência, mansidão e misericórdia inefáveis, deixou escapar tais maldições! Depois de tudo o que os moradores dessas cidades haviam visto e ouvido sobre Jesus no decurso dos meses, que desculpa poderiam alegar para sua indiferença e sua incredulidade?
Mesmo a ímpia Sodoma e as cidades pagãs de Tiro e Sidom teriam se convertido se recebessem graça semelhante à que foi concedida a Corazim, a Betsaida e a Cafarnaum; teriam mostrado humildemente seu arrependimento ao modo daqueles tempos distantes: cobrindo-se com vestes de grossos tecidos e salpicado de cinzas a cabeça.
Das três cidades que o Salvador reprova, Corazim era a menos conhecida. Ela não é mencionada nos livros do Antigo Testamento nem nos de Flávio Josefo. O Talmude cita a excelente qualidade do trigo dela.
Os palestinólogos modernos a identificam com o lugar chamado Kerezaeth, cujas importantes ruínas se vêm em um vale a três quilômetros a nordeste de Tell-Hum (Cafarnaum), a alguma distância do lago. Este lugar, já nos tempos de Eusébio e Jerônimo, estava deserto.
Para não deixar seus discípulos com a triste impressão desses anátemas, o Mestre concluiu sua instrução pastoral com uma sentença das mais consoladoras. Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou (Lc 10.16). Jesus os fez representantes dele e de Seu Pai Celestial. Não eram seus enviados? Pois bem, em todos os tempos e em todos os países, o embaixador representa integralmente a sua nação.
A ausência desses novos missionários não seria longa. Depois de terem visitado as cidades, completado a sua pregação e tirado dela o devido fruto, os setenta se reuniram com Jesus de novo, no dia e no lugar que lhes havia assinalado. Lucas, sem tecer pormenores, descreve em poucas palavras a deliciosa cena que aconteceu durante o retorno dos discípulos: E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. (Lc 10:17)
A alegria que enchia o coração deles e irradiava em cada rosto pode ser vislumbrada neste brevíssimo resumo: até os demônios se nos sujeitam. Por esta declaração, entendemos que os setenta discípulos não esperavam esse poder particular. Eles o assinalaram com ingênua simplicidade, como se fosse a maior vitória que poderiam ter no curso de sua recente missão. De fato, não parece que o Senhor lhes tenha comunicado, em termos explícitos, o poder de expulsar demônios; contudo haviam libertado os possessos, invocando o nome de Jesus Cristo.
Contudo, Jesus lhes deu primeiro esta majestosa resposta: Eu via Satanás, como um raio, cair do céu (Lc 10.18). Com essas palavras, referia-se ele à queda de Satanás, anterior à criação do homem, tal como brevemente João a esboça no livro de Apocalipse? Assim entenderam, segundo Orígenes, vários pais da Igreja, os quais acrescentaram que o Salvador quis lembrar a seus discípulos tão terrível exemplo, para levá-los à humildade, porque os via impressionados pelas vitórias sobre os demônios.
Depois, o Mestre acrescentou:

Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.(Lc 10:19,20)
Para explicar aos discípulos o sucesso de seus exorcismos, o Mestre lhes ensina que, sem eles saberem, os havia provido de poderes irresistíveis contra os demônios, representados aqui pelos animais perigosos. Depois de sua ressurreição, Jesus renovará essa imunidade, estendendo ainda mais os limites dela.
No entanto, provando e compartilhando sua alegria, o Mestre lhes sugere um motivo muito mais elevado de confiança e alegria. Grande bênção, sem dúvida, é o dom de expulsar os espíritos malignos dos possessos; mas, comparado à posse do céu, é um privilégio secundário, que nem mesmo assegura essa posse àqueles que têm recebido tal dom. Saber que alguém está destinado ao céu, que seu nome está escrito na lista dos escolhidos, é uma fonte de alegria superior, na qual se pode descansar com doce segurança.

Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. (Lc 10:21)

O Espírito divino, que dirigia todos os movimentos da alma de Jesus, inundou-se de vivíssima alegria. Esse fato é único na história do Salvador. Entre tantos motivos de tristeza, o Mestre se sentia alegre por contemplar em espírito os admiráveis frutos de seu ministério e de seus inumeráveis sacrifícios.
Nesse divino arrebatamento, Jesus pronunciou algumas sentenças de inefável formosura e de inesgotável profundidade. E de forma poética resumiu magnificamente a doutrina cristã. Com a terna efusão de seu coração, Jesus expressou primeiro seus sentimentos amorosos para com Seu Pai Celestial. Ao mesmo tempo, ofereceu-lhe louvor e ações de graças por ocasião de dois fatos em que especialmente resplandecem a providência divina com respeito ao reino dos céus: de um lado, o Pai oculta seus mistérios aos sábios segundo a carne e, de outro, revela seus segredos aos pequenos e aos humildes. Ao orgulho pela inteligência, responde com o silêncio; à simplicidade e à humildade, com iluminações maravilhosas.
Os sábios aqui representam os escribas; as criancinhas, os apóstolos, os discípulos, e muitos outros pequeninos diante do mundo - a estes, eram dadas as mais divinas revelações. Não que a intelectualidade seja por si mesma obstáculo à boa recepção do evangelho; mas ela não é o fator preponderante. Para apropriar-se dos ensinamentos de Jesus e caminhar após o Mestre, requer-se apenas boa vontade e qualidades morais. Depois de ter dado testemunho da providência do Pai, Jesus se detém durante um momento. Então, prossegue com nova força em seus louvores: Assim é, ó Pai, porque assim assim te aprouve (Lc 10.21).
As palavras que seguem são de valor inestimável para a teologia, porque afirmam, com clareza e força invencíveis, a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, que conclui sua orientação aos setenta discípulos com outra interessante sentença, congratulando-se de que eles tivessem sido os escolhidos do Pai para receber tão sublimes revelações: E, voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes.
Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram. (Lc 10:23,24)
Eles entendiam de alguma maneira o privilégio que lhes havia concedido Deus, mas Jesus queria fincar mais firmemente no espírito e no coração de cada um deles a ideia de que haviam recebido uma graça extraordinária, um benefício singular. Jesus dá a entender que os profetas de Israel e os reis santos desejaram ardentemente vê-lo com seus olhos e ouvi-lo com seus próprios ouvidos. Contudo, nem Davi, nem Josias, nem Ezequiel, nem Isaías, nem Jeremias, nem Daniel, nem tantos outros desfrutaram desse grande privilégio.
Amém!

Saber que alguém está destinado ao céu, que seu nome está escrito na lista dos escolhidos, é uma fonte de alegria superior, na qual se pode descansar com doce segurança.

sábado, 2 de junho de 2018

JESUS, o bom Pastor

JESUS, o bom Pastor

O amor do Salvador para com os homens e sua abnegação, que chegaria até o sacrifício vicário, revelam-se nessa alegoria. O quadro é fiel nos mínimos aspectos dos costumes pastoris do antigo Oriente. Tudo nele é de luminosa claridade: o Pastor supremo, os outros pastores que obedecem às suas ordens, os pastores mercenários, os ladrões, os lobos que devastam o rebanho, as ovelhas - todos esses personagens são fáceis de identificarmos, de modo que uma simples leitura basta para interpretar a alegoria. Por fim, dessa vez Jesus pode falar sem que seus adversários o interrompam. Haverá, pois, paz e doçura nessa nova cena.
Lembremos também, antes de citar e explicar brevemente esse formoso texto, que a imagem aqui desenvolvida aparece com frequência nos escritos do Antigo Testamento, onde algumas vezes se comparam os dirigentes de Israel a pastores, sejam bons, sejam maus; outras vezes, o próprio Deus é representado como o Pastor supremo da nação teocrática.
Em várias passagens dos evangelhos, Jesus nos é apresentado como Pastor. Pedro o chama de sumo pastor (1Pe 5.4); o escritor de Hebreus diz que Jesus é o grande pastor das ovelhas (Hb 13.20); João, no Apocalipse, mostra-nos Jesus conduzindo os povos ao modo de um pastor (Ap 7.17). Também vários pais da Igreja reproduzem esse símbolo, que a arte cristã dos primeiros séculos usou em seus quadros, em suas esculturas e em diversos monumentos.
A alegoria do bom Pastor consta de duas partes, entre as quais o evangelista insere uma breve fórmula explicativa. A primeira descreve a condição e o proceder de um pastor vigilante, dedicado por inteiro ao seu rebanho:
Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.

Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.

E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.

Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. (João 10:1-5)

Na Palestina, as ovelhas são, muitas vezes, a parte mais considerável do gado. À noite, elas são recolhidas ao rebanho em redis, construídos no campo com muro de pedra ou simplesmente com uma palha de madeira, segundo o uso em todo o Oriente bíblico. No fundo, só há uma cobertura onde podem guarnecer-se as ovelhas. Um guardião vela durante a noite para defender o aprisco das feras e dos ladrões. Pela manhã, cada pastor vai encarregar-se de suas ovelhas e conduzi-las aos pastos. Qualquer que quiser entrar de noite no redil com boas intenções entra, naturalmente, pela porta que o porteiro lhe abre; mas os que vão roubar ou mesmo degolar as ovelhas, tentam penetrar no recinto sem fazer barulho.
Com essa viva descrição, Jesus alude à antiga prática oriental de dar a cada ovelha o nome de sua cor, tamanho ou de qualquer outra particularidade. Quando o pastor conduz suas ovelhas a pastar, põe-se não atrás delas, segundo acontece no Ocidente, mas à frente delas, e vai chamando-as por seus nomes. Elas o seguem com docilidade e, mesmo quando vários rebanhos estão misturados em um só aprisco durante a noite, cada um deles se separa dos outros ao ouvir a voz de seu pastor!! [Lembrei-me de que o SENHOR tinha o costume, também, de dar nomes aos seus discípulos, segundo suas particularidades e ou características e personalidades! Como no caso de Simão à quem chamou de Pedro (Mc 3.16) e os irmãos João e Tiago, filhos de Zebedeu, à quem chamou de Boanerges, filhos do trovão!! (Mc 3.17)Incrível, não?]

Ouça o Salmo 23 cantado em hebraico! [Pode continuar sua leitura ouvindo! É encantador]


O evangelista interrompe por um momento a alegoria para advertir que Jesus se referia aos fariseus, então presentes no auditório. Jesus disse-lhes esta parábolas, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia (Jo 10.6). Não é de estranhar que os fariseus não entendessem o sentido dela. Como haveriam de reconhecer-se como ladrões vulgares que assaltavam o redil? Jesus prosseguiu aplicando, especialmente a si mesmo, uma determinada circunstância da alegoria:


Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.

Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.

O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. (João 10:7-10)

Colina de Aijalom, onde havia um bosque no qual
Jônatas encontrou mel e quebrou o voto de seu pai Saul,
sendo quase morto por este (1Sm 14.24-52). Jesus é o mel
que suaviza os vales e adoça a amargura da nossa vida.
Jesus é a porta das ovelhas, aquela por onde os pastores que estão sob suas ordens entram legitimamente no redil para cuidar do rebanho. Já os salteadores e os ladrões penetram no aprisco por caminhos tortuosos, procurando dissimular sua presença vão até lá com más intenções: para roubar, matar e destruir o rebanho. O bom Pastor, muito pelo contrário, veio do céu à terra, posto que é o Filho de Deus que se fez homem, expressamente para comunicar às suas ovelhas a verdadeira vida, uma vida bem-aventurada, a vida no que tem de mais elevado, em toda a sua plenitude.
Jesus, completando o quadro, ao assinalar a diferença que há entre o pastor verdadeiro e o simples mercenário, destaca duas qualidades principais que um pastor precisa ter para ser digno de tal nome: o espírito de sacrifício, levado até as últimas consequências, e um conhecimento íntimo de suas ovelhas:
Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.

Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.

Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.

Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.
Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor. (João 10:11-16)

Pela segunda vez, o Salvador declara - e com quanta verdade e amor - que ele é o bom Pastor por excelência. Disso dá uma prova peremptória (Dicio: que permite): ele, não contente em prestar a suas ovelhas carinhosos cuidados, daria finalmente sua vida por elas; enquanto o mercenário, egoísta e covarde, fugiria ao surgir o perigo, desamparado-as indefesas, à mercê dos lobos.
O mútuo conhecimento que se estabelece entre as ovelhas e o bom Pastor é tão íntimo que Jesus compara-o às estreitas relações, de ordem superior, que há entre ele e seu Pai. Depois, dirigindo seu olhar para o porvir e para as mais longínquas regiões, Jesus contempla outras inumeráveis ovelhas dispersas pelo mundo gentio [eu e você] e manifesta o ardente desejo de seu coração de dar-lhes a vida e a salvação.
Como conclusão dessa sublime alegoria, Jesus indica o motivo por que está disposto a sacrificar-se por seu rebanho: com essa doação generosa e completa de si mesmo, obedeceria às ordens de seu Pai e salvaria a humanidade.
Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai. (João 10:17,18)
O Pai ama o Filho desde toda a eternidade. Porém, desde a encarnação de Cristo, ama-o com renovado amor por seu espírito de sacrifício!
Outras duas circunstâncias são dignas de nota: primeiro, a inteira liberalidade com que o Salvador daria a sua vida pela salvação do mundo, conformando-se assim plenamente ao plano divino; depois, sua ressurreição, pela qual sairia vitoriosamente de seu túmulo para desfrutar de vida nova e muito mais gloriosa.
Como consequência desse discurso, surgiu uma discussão entre os ouvintes de Jesus, que os separou em dois campos opostos. Uns diziam: Tem demônio e está fora de si; por que o ouvis? (Jo 10.20). Estes pertenciam ao grupo hostil ao Senhor Jesus. Eles viam com desgosto a atenção que se dava às suas palavras e a influência que estas exerciam no povo. Mas outros replicavam, com muita razão: estas palavras não são de endemoninhado; pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos? (Jo 10.21). O raciocínio destes últimos, que se apoiava ao mesmo tempo na pregação e nos milagres do Salvador, era corretíssimo. Certamente, não ficaram apenas nessa afirmação, mas também tomaram francamente o partido de Jesus, reconhecendo-o como Messias. Aleluia!
Até a próxima!
Fica na paz!

terça-feira, 29 de maio de 2018

O MESSIAS NA CONCEPÇÃO DOS JUDEUS

As pessoas parecem esquecer que
o rabino Y'shua (Jesus) é judeu.

Ele não começou uma nova religião.
Ele reformou o judaísmo.
Yeshua nasceu, viveu
e foi executado como judeu.

Ele era um professor de Torá,
Ele é a Torá, a palavra viva,
 ele NÃO aboliu a Lei,
Ele deu significado a isso,
Ele é Mashiach (Ungido de Deus).

O MESSIAS NA CONCEPÇÃO DOS JUDEUS

A libertação do domínio pagão por meio do Messias tornou-se a base de toda aspiração judaica. A esperança messiânica tinha-se envelhecido até certo ponto; havia perdido em grande parte seu caráter religioso. Tal era a ideia formal que quase todos os judeus haviam formado gradualmente acerca do Messias.
Quem era, pois, esse Messias? Os cognomes que se lhe aplicavam o designavam como personagem de muita elevada qualidade. Chamavam-no de o Eleito, o Consolador, o Redentor, o Filho do Homem; às vezes, o Filho de Deus, num sentido muito amplo; e o Filho de Davi, no sentido estrito. Chamavam-no também e acima de tudo de o Messias, palavra hebraica que significa o Ungido e que simbolizava a eleição que o Senhor havia feito dele e o poder real que lhe tinha dado.
Muitos poucos, porém, eram aqueles que, seguindo as indicações dos profetas, criam na divindade dele; isto é demonstrado no exemplo dos apóstolos, que só reconheceram muito tarde e em virtude da revelação especial a natureza divina do Salvador (Mt 16.16-17), que estava investido de atribuições superiores, incompatíveis com a pura e a simples natureza humana. Ele havia sido criado antes do mundo e viveria eternamente. Elevado acima dos anjos, era dotado de sabedoria e de poder extraordinários. O Messias possuía uma santidade perfeita e estava isento de todo pecado.
Convencidos de sua grandeza humana, os judeus não podiam compreender, apesar da clareza e da precisão das profecias, que o Messias haveria de submeter-se à lei do sofrimento. Rejeitavam, geralmente, como suprema inconveniência e manifesta contradição, a ideia de um Messias sofredor e pacífico. A atitude dos apóstolos de Jesus revela a insuperável repugnância que os correligionários sentiam quanto a essa ideia (Mt 16.21-23; Mc 9.29-31; Lc 18.31-34).
Analisado em seu conjunto, o judaísmo rabínico fechou os olhos para os textos bíblicos que profetizavam sobre os sofrimentos do Messias. Esqueceu que, precedido pelo arauto, cuja missão era anunciar o Messias ao mundo, o Rei dos judeus haveria de nascer em Belém e permanecer invisível e oculto durante algum tempo. Depois, ocorreria de repente sua manifestação gloriosa e triunfante.
Os judeus costumavam apresentá-lo como conquistador invencível contra todas as potências pagãs e, em especial, contra o Império Romano, para domá-los inteiramente.
Alguns documentos da época não estão perfeitamente de acordo entre si. Conforme alguns (o Saltério de Salomão, Os Oráculos Sibilinos e Fílon de Alexandria), a ruína do paganismo aconteceria como uma sangrenta batalha. Conforme outros (o Apocalipse de Baruque e o Apocalipse de Esdras), não haveria tal luta propriamente dita. Um julgamento de Deus e do Messias reduziria à impotência os inimigos de Israel.

O FALSO RETRATO DO MESSIAS

Que ideia, porém, faziam deste Messias, cuja vinda tão ardentemente desejavam todos os verdadeiros israelitas? Que descrição haviam traçado dele os rabinos e os escritores apocalípticos? O retrato do Messias, pintado por esses escritores e gravado na imaginação popular, não condizia com as antigas profecias. Eles o desfiguraram com o pretexto de aformoseá-lo! Levando ao pé da letra o que, nas profecias inspiradas, não era mais do que uma expectativa ideal dando uma interpretação política a certas passagens cujo sentido era espiritual ou figurado (Is 35.10; 40.9-11; 41.1-2), tais escritores profanaram lamentavelmente o espírito das profecias e turvaram sua significação.
Mesmo depois do cativeiro na Babilônia, submetidos ao jugo da Pérsia, da Grécia e de Roma, os judeus haviam se acostumado a associar a ideia do Messias à esperança de sua restauração social e de sua independência reconquistada. Isto era para eles o essencial. Viam no Messias, antes de tudo, um poderoso instrumento divino que os ajudaria a recuperar a sua glória e os seus privilégios de antigamente. Ao pensarem nele e ao invocarem-no de todo o coração, tinham o olhar muito mais voltado para sua própria exaltação do que para a saúde moral que ele haveria de trazer, tanto para os judeus como para os demais homens.

COMO SERIA O REINADO DO MESSIAS NA CONCEPÇÃO DOS JUDEUS

Aplacada a cólera de Deus com o castigo dos pagãos, e lançados estes fora da Palestina, começaria o reinado do Messias. Os judeus que estariam dispersos pelo mundo seriam trazidos milagrosamente para a Terra Santa a fim de gozar da felicidade daquele reino maravilhoso. Jerusalém seria reconstruída, embelezada e admiravelmente engrandecida. O templo também seria erguido de suas ruínas, e seriam restabelecidas as cerimônias do culto.
Os rabinos não encontraram cores bastante brilhantes para pintar o esplendor dessa idade de ouro, que se prolongará daqui por diante por milhares de anos. Será uma era de paz, de glória e de felicidade não interrompida.
A natureza estará dotada de fecundidade surpreendente; os animais mais cruéis perderão sua ferocidade e se tornarão dóceis a serviço dos judeus; todas as árvores, sem exceção, darão saborosos frutos. Já não haverá mais nem pobreza nem sofrimento. Os partos serão sem dor; as colheitas, sem fadiga. As injustiças terminarão; o pecado já não existirá na terra.
Para poder acolher todos os seus habitantes, a cidade de Jerusalém será tão grande como a Palestina, e a Palestina será tão grande como o mundo inteiro. Da Cidade Santa, as portas e janelas serão enormes pedras preciosas; os muros serão de ouro e prata. Além do mais, as colheitas de inaudita riqueza que a terra produzirá sem cultivo proporcionarão material para magníficos vestidos e manjares saborosos. O trigo alcançará a altura das palmeiras, e até se elevará acima do cume dos montes.
Eis algumas descrições do reino messiânico!
Compare esse texto com este: O Reino de Cristo no Milênio

O MOTIVO QUE LEVOU OS JUDEUS A REJEITAREM O SALVADOR

O mais triste de tudo isto é que quando Yeshua [Jesus], o verdadeiro Messias, apresentou-se manso e humilde, sem aparato político nem belicoso, sem nada que o identificasse com o conquistador terrível e sempre triunfante que os judeus esperavam, e sim como o reformador religioso [do judaísmo] e a vítima a ser oferecida para expiar os pecados dos homens, os judeus recusaram-se a aceitá-lo como Messias.

TESTEMUNHAS LEVANTADAS POR DEUS PARA FALAR DO MESSIAS

Felizmente, mesmo naquele Israel, com a ideia de um Messias político e guerreiro, Deus não deixou seu povo ficar sem testemunha. verdade é que eles não escolheu entre os escribas e os fariseus essas testemunhas.
Mesmo que as almas escolhidas que vemos perto do Filho de Deus ainda menino não figurassem entre os poderosos da nação judaica, pelo menos praticavam de antemão, quanto podiam, a santidade cristã, obedecendo por amor e sem estreiteza de coração à lei divina. Além disso, haviam compreendido o verdadeiro significado das profecias messiânicas. Estas almas representavam a piedade sincera. Maria e Jose, Zacarias e Isabel, os humildes pastores de Belém, Simeão e a profetiza Ana - estes e outros esperavam a redenção de Israel, e foram os primeiros a saborear a doçura do Messias.
No iminente advento do Messias, estes nobres e santos corações viam, antes de tudo, o perdão dos pecados de seu povo, a paz que haveria de reinar perpetuamente entre Deus e a humanidade, o estabelecimento na terra de um reino espiritual, cujo líder seria Cristo, que daria a felicidade verdadeira neste mundo e no outro a quem cumprisse as leis deste glorioso e santíssimo monarca. Os cânticos e as palavras destes servos do Altíssimo são admiráveis testemunhos de fé que neles brilha com toda a sua pureza e com todo o seu esplendor.

A minha alma engrandece ao Senhor,
E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;

Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada,

Porque me fez grandes coisas o Poderoso; E santo é seu nome.

E a sua misericórdia é de geração em geração Sobre os que o temem.
Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações.
Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos, E despediu vazios os ricos.
Auxiliou a Israel seu servo, Recordando-se da sua misericórdia;
Como falou a nossos pais, Para com Abraão e a sua posteridade, para sempre. (Cântico de Maria, em Lucas 1:46-55)

Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra;
Pois já os meus olhos viram a tua salvação,
A qual tu preparaste perante a face de todos os povos;
Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel. (Cântico de Simeão, em Lucas 2:29-32)


Até a próxima!
Fica na paz!