sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ruminando Filipenses 4:5-7

Um velho comentarista do Evangelho escreveu que Jesus,
antes de morrer, fez o seu testamento:
para o Pai destina o espírito;
o corpo fica com José de Arimatéia; as vestes vão para os soldados;
Maria, a mãe, deixa aos cuidados de João.
E para os discípulos, que largaram tudo e seguiram o Mestre,
qual seria a herança?
Cristo lega àqueles que o amam, a sua paz.
A certeza da presença do Senhor, a confiança em poder aproximar-se de Deus mediante oração e ações de graças e a consequente paz no coração se manisfestarão numa atitude de cortesia para com todos.
Fp 4.5 - A moderação inculcada aqui é traço do caráter cristão. Em 2 Coríntios 10.1, Paulo fala "mansidão" ou "benignidade" de Cristo, mediante a qual o crente consegue suportar com paciência até mesmo o abuso da parte de outrem (veja Ec 2.19). Mediante a moderação o crente sabe como parar pela graça, não insistindo em seus direitos. Matthew Arnold traduziu o termo grego por "doce razoabilidade", que se tornou termo de uso comum.
Os crentes devem manifestar esta virtude em seu relacionamento com as demais pessoas, e perante o Senhor. [É difícil...sim. Mas a graça do Espírito Santo, nos concede gerar um fruto chamado "longanimidade"!] Lembra?  é um fruto do Espírito Santo! Veja aqui: O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO.
Perto está o Senhor. Pode significar que "a volta do Senhor está próxima", "o Senhor vai regressar em breve"; é algo que Paulo poderia ter dito (Fp 3.20), no espírito das instruções de Jesus a seus discípulos, que deveriam proceder como servos que aguardam a seu senhor (Lc 12.42-48). Entretanto, as palavras do apóstolo podem implicar perto quanto a lugar ou perto no tempo. "Perto está o Senhor" é certeza reiterada perante seu povo no AT (veja Sl 34.18; também Sl 119.151; 145.18). Se o único elemento em vista fosse o tempo, alguém poderia julgar que essa certeza seria mais válida para os que estarão vivos um pouco antes da data desconhecida do advento do Senhor, e menos válida para os que viveram muito antes; contudo, segundo o sentido provável das palavras de Paulo, aqui, o Senhor está sempre igualmente perto de seu povo, sempre "perto". "Cristo está, portanto, sempre à nossa porta; tão perto estava há dois mil anos como está agora".
Fp 4.6 - Visto que "perto está o Senhor", a exortação a seu povo é: não andeis ansiosos por coisa alguma. Isto se enquadra no ensino do próprio Jesus a seus discípulos: "Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haver de vestir...não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo" (Mt 6.25-34). Na Igreja primitiva, a existência cristã num mundo pagão é cheia de incertezas: perseguições de um tipo ou outro sempre constituía uma possibilidade, e tornar-se membro de qualquer associação patrocinada por divindades pagãs era algo impossível, o que resultava em desvantagem econômica. Entretanto, se o Senhor estivesse perto, não havia razão para ansiedade. Jesus havia estimulado seus discípulos a eliminarem a ansiedade porque o Pai celeste, que alimenta os pássaros e veste a erva do campo com flores, sabia de suas necessidades e podia muito bem supri-las (Mt 6.26-32; Lc 12.24-30). De modo semelhante Paulo ensina: mas em tudo, pela oração e pela súplica, com ações de graças, sejam as vossas petições conhecidas diante de Deus. O apóstolo usa três palavras gregas para "oração", aqui. Há pequenas diferenças de sentido entre essas palavras mas o principal efeito no uso de todas as três é a ênfase na importância, na vida cristã, da constância na oração de fé, plena de expectativa. À semelhança de seu Mestre, Paulo age com máxima certeza de que um elemento essencial da oração é que peçam coisas a Deus com o mesmo espírito de confiança que as crianças demonstram quando pedem coisas a seus pais. Na oração que Jesus ensinou a seus discípulos, para que a usassem ao dirigir-se ao Pai celeste, o Senhor inclui o pão de cada dia ao lado da vinda do reino à terra. (Veja O REINO DE CRISTO NO MILÊNIO)
Acima de tudo, a lembrança de bênçãos passadas constitui salvaguarda contra a ansiedade quanto ao futuro: essa memória acrescenta confiança à oração que roga mais bênçãos. Eis aqui a importância das ações de graças na verdadeira oração.
Fp 4.7 - Se os filipenses acatassem esse estímulo, em lugar da ansiedade eles gozariam de paz no coração. Jesus, em João 14.27, concedeu a seus discípulos "a minha paz", que ele deu não "como o mundo a dá."
Portanto, aqui, a paz que os filhos de Deus recebem é a paz de Deus, que excede todo o entendimento. Paz que "ultrapassa toda imaginação"; vai além de tudo quanto a sabedoria humana consegue planejar. Esta paz será "fortaleza", guardará os vossos corações e as vossas mentes, mantendo do lado de fora a ansiedade e outros intrusos: guardará os crentes em Cristo Jesus.
A paz de Deus pode significar não apenas que Ele mesmo concede (Rm 5.1) mas a serenidade em que o próprio Deus vive: Deus não está sujeito à ansiedade. [Esta paz, contribui e acrescenta ao crente, capacidade de se manter sereno diante das mais inesperadas situações difíceis e lagrimosas.]

Até a próxima!
Fica na paz!