terça-feira, 8 de maio de 2018

As formas de punição no tempo de Jesus



As formas de punição no tempo de Jesus

Acontecia, muitas vezes, que, no lugar da pena de morte, os romanos aplicavam ao acusado apenas a flagelação, que, aliás, precedia sempre a execução da sentença capital: a vítima ficava desonrada por toda a vida; era como se hoje um condenado à morte tivesse sua pena trocada por prisão perpétua.
Jesus, pois, foi entregue aos soldados romanos para ser açoitado. Esses homens, assim como o procurador, também sentiam certa aversão pelos judeus, que lhes respondiam com uma espécie de ódio velado, próprio de pessoas simples e rudes. Assim, para os soldados romanos, era uma alegria quando lhe entregavam um judeu, acusado de ter se manifestado contra Roma. Não foi apenas por obediência que se puseram a açoitar Jesus, mas também por puro prazer de martirizarem um judeu.
Os chicotes consistiam em correias de couro e feixes de finas correntes de ferro com bolas ou ganchos de metal nas extremidades. às vezes, eram confeccionados também com cordas e pedaços de osso nas pontas. Aos primeiros golpes, o sangue coagulava em bolhas debaixo da pele. Logo em seguida, essas bolhas arrebentavam, e aparecia a carne viva, mas os carrascos continuavam batendo.
Os evangelistas não se detêm em descrever estas cenas, porque os leitores daqueles tempos sabiam o que este castigo significava. Flávio Josefo (historiador judeu) narra que viu, entre os anos 62 e 64 d.C., um procurador alpino mandar açoitar um homem durante tanto tempo até que “seus ossos foram desnudados”. Não era raro que os condenados morressem durante a flagelação.
Entretanto, mesmo depois que os soldados puseram de lado os instrumentos de suplício, sentiram vontade de atormentar Jesus ainda mais. Com a hostilidade que, muitas vezes, é desenvolvida em pessoas rudes e longe de sua pátria, perceberam que o prisioneiro não estava interiormente abatido ao peso de seus golpes.
Que lamúrias, em outros casos, precediam uma flagelação! Como gritavam as vítimas, bem antes dos açoites, para provocar misericórdia. E como contorciam todo o corpo, não podendo proceder de outro modo! Mas com Jesus foi diferente. Ele tinha em Si muitas coisas de um rei. E os soldados se sentiram perturbados diante da misteriosa força de Jesus. Enfureceram-se com Sua firmeza e fizeram de tudo para abafar nele este último traço real, lançando sobre Jesus toda espécie de escárnio. É algo terrível quando homens perversos se unem para dar vazão a seus próprios instintos perversos!
Os soldados fizeram Jesus assentar-se num pedaço de coluna que ali estava, talvez a mesma em que o tinha amarrado, para flagelá-Lo. Envolveram o Mestre em um velho manto avermelhado, já usado por algum soldado. Fizeram uma coroa de espinhos, que provavelmente estavam ali para acender o fogo. É possível que junto aos espinhos também houvesse uns caniços. Colocaram-lhe a coroa de espinhos na cabeça, deram-lhe um caniço na mão direita e, em seguida, encurvavam-se diante dele e diziam em tom de escárnio: “Salve, Rei dos judeus”. O termo grego xaire corresponde a ave (salve, em português), que foi mais tarde usado pelos judeus como um estrangeirismo. Pelos soldados, a saudação deve ter sido proferida em grego.
Como se não bastasse, cuspiram em Jesus, arrebataram o caniço de Sua mão e bateram-lhe com ele na cabeça. Tudo isso era uma humilhação para Jesus: um rei em que podiam bater com o próprio cetro!
A narração neste ponto demonstra, inconscientemente, um traço de inatacável fidelidade: como os soldados não queriam tocar no precioso rosto de Jesus com as próprias mãos, maltratava-no com o caniço.
Fica na paz!
Até a próxima!