A PRIMAVERA NO JORDÃO

Para toda a Palestina, principalmente para o vale do Jordão, o mês de março é o período mais belo de todo o ano. Enquanto nos planaltos, em ambos os lados do Jordão, ainda se registram, geralmente, cerca de oito dias de chuva em março, no Jordão, porém, reina uma temperatura mais constante e agradável, conforme o modo de sentir dos habitantes. Os cereais atingem, ao máximo, seu crescimento, e as árvores, cuja folhagem havia caído, ficam verdes novamente.

As noites já não são tão quentes, e não existe mais a necessidade de se abrigar em alguma casa. Pode-se dormir perfeitamente ao ar livre. No entanto, as boas cortinas são necessárias, porque, com o calor, os mosquitos de todas as espécies reaparecem. À medida que o calor se firma no vale e sobre às montanhas, a neve do Líbano começa a derreter. O Jordão engrossa suas águas e espalha-se caudalosamente nos lugares mais baixos. A água perde inteiramente a transparência, de modo que não é sem perigo que se entra no leito do rio: mesmo aparentemente seca, a areia por baixo ainda está cheia de água, e alguém, de repente, pode ficar atolado no lodo sem fundo.

Em geral, porém, é um período próprio para os viajantes. Mesmo que de repente caia alguma chuva, logo a areia estará seca e quente novamente.

São essas circunstâncias que transparecem, não sem sua importância, nas narrações evangélicas, testemunhando sua autenticidade.

A delegação de Jerusalém não encontrou João Batista no Jordão, mas em Betânia, do lado de lá do rio. Na ocasião, ele havia se afastado das margens, devido às enchentes, e procurado um lugar em que algumas fontes facilitassem sua atividade batismal.

Hoje em dia, a festa maometana do Nebi-Musa – a festa de Moisés – é celebrada mais ou menos na mesma época do ano, na primavera, no primeiro grau do planalto desértico, quando surge, ao redor do santuário, uma nova povoação, apenas por alguns dias.

Deve ter sido uma cena bem semelhante, que os romanos puderam apreciar, quando da aparição de João Batista. Camelos e jumentos vinham aos pares carregados com o pouco que os orientais consideram indispensável para festejar uma semana em alguma parte: tapetes, tendas e varais, pão e recipientes para água. Isso bastava.

Nesse período, estabelecia-se ao redor de João Batista uma espécie de povoação. Os israelitas não estranhavam essa passagem do povo que se detinha mais tempo perto do Precursor. Durante esse mesmo período do ano, muitos dos que tinham casa costumavam dormir frequentemente ao relento.

Uma sensação religiosa reinava entre os discípulos de João Batista. Conforme os costumes orientais, os conterrâneos se agrupavam, espontaneamente, entre si. E faziam isso com a maior liberdade e alegria, pois longe estavam de qualquer desregramento; moviam-se daqui para ali, reuniam-se em grupos em torno de João Batista, para novamente estarem a sós daqui a pouco. ouviam-lhe as pregações e pediam-lhe explicações e normas sobre a vida religiosa.

Até a próxima!

Fica na paz!

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